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sexta-feira, 20 de março de 2009

Cantando um hino à liberdade

Éramos cento e vinte mil chantagistas
No Terreiro do Paço, à beira do Tejo
E os nossos olhos brilhavam como as águas,
Onde embarcados partiram os sonhos
Dos nossos "egrégios avós",
Rumo à aventura da viagem,
Ousando ultrapassar o Bojador.
Éramos cento e vil mil e mais a dor,
Com a alma ferida da partida que tardava,
Para inundar Lisboa como ondas de canoa.
Éramos cento e vinte mil e mais as horas
Sobre as pernas dormentes e cansadas,
E a alma sangrando de amargura,
Mas também da fome da aventura,
E os nossos olhos estavam com as águas,
E com o sol da cidade da memória,
Que de um país pequeno fez história.
Éramos cento e vinte mil e uma epopeia
Cheia da mesma garra do passado
Com os olhos deitados sobre o Tejo
Que connosco sonhava ali ao lado.
Éramos o sonho da cultura e de um império,
Herança deixada por Pessoa, naquelas ruas de Lisboa.
Éramos cento e vinte mil chantagistas
E algumas esperanças de mama e de colo
Embalados no mesmo passo do compasso
Que subia destemido na cidade
Cantando um hino à Liberdade!


Maria Isabel Fidalgo

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ARQUIVO DE MENSAGENS (CRIARIQUEZA)
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