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domingo, 14 de dezembro de 2008

Resgatar a Boa Nova de Jesus Cristo: o segredo da vida

As pessoas que, pela primeira vez, ouviam os discípulos de Jesus proclamar a Boa Nova ficavam tão impressionados com o que viram como com o que ouviram. Observaram vidas que tinham sido transformadas... homens e mulheres que se assemelhavam a todos os outros, excepto quanto ao facto de parecerem ter descoberto o segredo da vida.

Evidenciavam uma tranquilidade, simplicidade e alegria que os seus ouvintes nunca tinham encontrado noutro sítio. Ali estavam pessoas que pareciam ter sucesso numa empresa em que todos gostariam de o ter - a própria vida.

Mais especificamnte, parecia ter havido abundância de duas qualidades: cuidado mútuo e alegria.

Cuidado mútuo.
Uma das primeiras observações de que dispomos acerca dos cristãos diz: "Vejam como estes cristãos se amam uns aous outros". Parte integrante deste cuidado mútuo era a absoluta ausência de barreiras sociais. Ali estavam homens e mulheres que não só diziam que toda a gente era igual aos olhos de Desus, mas que viviam como se disso estivessem convencidos. As barreiras convencionais de raça, género e estatuto não tinham qualquer significado aos seus olhos, pois em Cristo não existia judeu ou gentio, homem ou mulher, escravo ou homem livre.

Alegria.
Jesus disse uma vez aos discípulos que os seus ensinamentos se destinavam a "que a minha alegria esteja em vós e o vosso gozo seja completo" (João 15:11), e esse objectivo parece ter sido notavelmente conseguido. No meio das suas imensas provações, estes cristãos tinham conseguido atingir uma paz interior que encontrava expressão numa alegria aparentemente exuberante. Irradiante.

O que gerou este amor e alegria nestes primeiros cristãos? Em si, estas qualidades são universalmente desejadas; o problema reside na formas de as alcançar. A explicação, deduzida a partir do Novo Testamento, é que tinham sido tirados subitamente dos seus ombros três fardos intoleráveis: o medo (incluindo o medo da morte), a culpa/remorso, o ego/egoismo.

Não é dificil compreender como a libertação da culpa, do medo e do ego podia transmitir uma sensação de renascimento (ressureição, talvez, pergunto-vos eu). Mas como se livraram os cristãos desses fardos? O único poder capaz de provocar transformações desta magnitude é o amor.

O amor de Deus foi precisamente o que os primeiros cristãos sentiram, através de Jesus, convencidos que era Deus incarnado. Se também nos sentissemos amados, não em termos abstractos, mas vívida e pessoalmente, por alguém que reunisse em si todo o poder e perfeição, a experiência poderia eliminar para sempre em nós o medo, a culpa e o egoismo. Uma vez envolvidos nesse amor, ele não poderia ser detido. Dissolvendo as barreiras do medo, da culpa e do egoísmo, jorrava através deles como se se tivessem aberto as comportas de uma barragem, aumentando o amor que até então tinham sentido por terceiros até a diferença de grau se transformar em diferença de essência e nascer uma nova qualidade, que o mundo viria a conhecer por amor cristão. O amor que as pessoas encontraram em Cristo entregava-se, não por prudência ou para receber algo em troca, mas porque era da sua natureza entregar-se.

Como disse Kirkegaard, se em cada momento, tanto do presente como do futuro, eu tivesse a certeza de que nada aconteceu ou acontecerá que nos separe do amor infinito do Infinito, isso seria uma razão de alegria.

Fonte: "A essência das religões - A sabedoria das grandes tradições religiosas", Huston Smith. Nov. 2007

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ARQUIVO DE MENSAGENS (CRIARIQUEZA)
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