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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Pastores e ovelhas: misticismo e catecismo

É a igreja que nos trata como crianças ou somos nós que não queremos crescer (espiritualmente)? Tendo visto o céu através da Igreja Católica, conclui que existe mais céu do que aquele que dela avistava:

Não sou mulçumano nem cristão,
judeu ou zoroastriano;
não sou nem da terra nem do céu,
não sou nem corpo, nem alma.


Rumi (séc. XIII), sufista, poeta, jurista, téologo muçulmano persa.

Ibn'Arabi, místico sufista do séc XII e expoente máximo dos filósofos mulçumanos, defende num poema delicioso a liberdade suprema da Religião do Amor.

O misticismo viola as barreiras que protegem a fé do crente típico, sendo perigoso para os que não estão preparados para os seus ensinamentos. Por esta razão muitos Mestres têm sido comedidos nos seus ensinamentos, reservando parte da sua doutrina àqueles que estão preparados para a receber.

Os mestres sufistas adoptavam várias estratégias de ensino, entre elas os contos sufistas pelas quais são famosos (sendo um desafio para todos estudá-los em simultâneo com as parábolas de Jesus).

"O Conto das Areias" prende-se com a doutrina de fana, a transcendência em Deus do eu finito.

Um ribeiro, vindo de montanhas distantes e passando por todo o tipo de paisagens, acabou por chegas às areias do deserto.
Tal como ultrapassara todas as barreiras com que se deparara, também agora o ribeiro tentou superar esta, mas descobriu que, à medida que corriam para a areia, as suas águas desapareciam.
No entanto, estava convencido de que era o seu destino atravessar este deserto, embora não o conseguisse.
De repente, uma voz oculta, vinda do próprio deserto, sussurrou: "
- "O Vento atravessa o deserto, o mesmo fará o ribeiro".
O ribeiro respondeu que todos os esforços para ultrapassar o deserto tinham resultado no desaparecimento das suas águas na areia: que o vento voava e por isso conseguia atravessar o deserto.
- "Insistindo no teu método habitual, não conseguirás passar. Desaparecerás ou tornar-te-ás um pântano. Terás de permitir que o vento te transporte para o teu destino."
- Mas como será isso?
- "Deixando-te absorver pelo vento."
A ideia não era aceitável para o ribeiro. Bem vistas as coisas, nunca tinho sido absorvido. Não queria perder a individualidade e, uma vez perdida esta, como saber se seria possível recuperá-la?
- "O vento", respondeu a areia, "executa essa função. leva a água, transporta-a por cima do deserto e deixa-a tombar outra vez. Caindo sob a forma da chuva, a aágua transforma-se de novo em rio."
- Como poderei saber se é verdade?
-"É, e se não acreditas, não serás mais que um lamaçal, e mesmo isso poderá levar muitos e muitos anos. E de certeza que não é o mesmo que ser um ribeiro."
- Mas não posso manter-me o ribeiro que já sou?
-"Em nenhum dos casos poderás ficar assim", disse o sussurro. "A tua parte essencial será levada e formará um novo ribeiro. Tens o nome que tens hoje porque não sabes que parte de ti é a essencial."
Quando o ribeiro ouviu isto, algumas reminiscências começaram a surgir nos seus pensamentos. Lembrou-se vagamente de um estado em que ele - ou parte dele? - estivera nos braços de um vento. Também se lembrou - seria? - que era a coisa certa a fazer, embora não necessariamente óbvia.

E o ribeiro fez subir o seu vapor até aos braços acolhedores do vento que, com cuidado e facilidade, o ergueu e levou, deixando-o cair suavemente assim que chegaram ao topo de uma montanha, muito, muito, muito longe dali. E porque tinha tido as suas dúvidas, o ribeiro foi capaz de recordar e fixar com mais força os pormenores da existência. Reflectiu:
"Sim, agora conheci a minha verdadeira identidade."
O ribeiro aprendia. Mas as areias sussurravam. "Nós sabemos porque vemos isto a acontecer dis após dia: e porque nós, as areias, nos estendemos da margem do rio às montanhas".
E é por isto que se diz que a forma como o rio da Vida vai prosseguir a sua viagem está escrita nas Areias.


In "A essência das religiões", Huston Smith, Nov 2007.
Existem técnicas e estratégias mentais para alcançar a felicidade dos primeiros cristãos e que infelizmente não nos são ensinadas no catecismo. A base desse processo é compreendermos que " a gestão da mente é a essência da gestão da vida".
Dois livros poderão ajudar-vos a iniciar esta caminhada: "o segredo" e a fábula espiritual "o monge que vendeu o seu ferrari". Poderão ainda clicar neste blog em "estratégias mentais" na secção Criariqueza: descobre como.

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ARQUIVO DE MENSAGENS (CRIARIQUEZA)
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